Lamentações do Diabo
Ensanguentado Ceifeiro tristonho
Guerreiro imerso em saudades,
tome meu espírito, leve-o à sombra dos vales
onde minha Virgem dorme em sonhos.
Pobrezinha, pereceu em tristes feições e a melodia
de Seu andar, percorre minha penitência.
É a sintonia da Morte, minha cantoria.
É o carinho eterno d'uma desonrada inocência!
A Beleza repousante em tão branco caixão,
foi, em tempos de Glória, Senhora de minh'Aurora.
Nossas auras, unidas, já flutuaram por este chão
onde a Morte faz de seu Gozo esta triste hora.
Descoloriu-se, Ela, o veneno de minha solidão,
descoloriu-se, também, com Ela, nosso jardim
de púrpuras margaridas. Do que era Eterno, fez-se Fim.
De lembranças dela, vivem apenas rosas em meu coração.