Eu e a Bicicleta

Caminhei p'lo mundo lado a lado,
Contigo subi ruas e montanhas,
De tanto ter pedalado,
Tenho mazelas tamanhas,
No meu coração nas entranhas.

Vi um mundo desigual,
Furiosos, descontentes,
Desfeitas casas de gente,
Por guerra descomunal,
Refugiados ensopados,
Revirados, aflitos,
Crianças e mulheres aos gritos,
Odiosos os conflitos,
Pergaminhos, ouro derramando,
Aos pobres nada sobrando,
A terra estéril gretada,
O mar enfurecido a rugir,
Furações, tudo a explodir,
Tanta gente sem mudar,
A sua forma de achar,
Que o mundo parco de amor,
Só comenta o que há de horror!
Porquê não mudar o esquema?
Onde sorrir seja o tema!
Para parar esse desamor!
Ah! Tanto choro, tanto pranto,
Que a outros olhos dão quebranto,
E aos corações dão tremor,
A cada baque murcha a flor,
Desabitada, na loucura de morrer,
Sem ímpeto para renascer!
Se lhe dessem um alento,
O trilho, o brilho do talento,
Se não houvesse injustiça,
Deixa andar... a preguiça,
O pensamento inquieto,
Se todo o mal, o levasse o vento,
Se houvesse asas no convento,
Sons melódicos num mundo liberto,
O livro a ensinar aberto,
Largueza de horizontes, em vez de agonia,
Crianças a brincar sem nenhuma fobia,
Amor enternecido em cúmplice festejo,
O perdão sentido no abraço e no beijo,
O respeito, a verdade, um turbilhão de desejo,
Porque a vida é ensejo!
Maria Antonieta Matos - 15 de Janeiro de 2017
352 Visualizações

Comentários (0)

ShareOn Facebook WhatsApp X
Iniciar sessão para publicar um comentário.