Dentro da noite insone
A noite desvencilha-se do seu manto de estrelas
E eu, poeta exausto, abraço a superfície do sono
Equilibrando-me entre palavras e desejos ermos.
O corpo nu da amada range no sonho seu instinto
E despeja no branco dos lençóis o vinho feminal
Exibindo-me os mamilos doces túrgidos em brasa
Como pétalas incendiadas de uma orquídea rara.
Eu me transbordo lívido de libido pelos limites da pele
E como um grifo cravo em seu corpo meu arpão de âmbar
E me comprazo de humano desvario em sua greta nua
Fustigando, ferindo, perfumando seu corpo enlouquecido
Que súbito mergulha no inconsciente e entrelaça-se em algas
De aflições escuras, como se assomasse ao cimo da loucura.
Até que após a luta o corpo exausto enfim entrega-se cansado
E como pássaro após a tempestade é puro canto, só ternura.
E a noite segue seu curso como anzóis jogados ao acaso:
Na cama uma borboleta de pelúcia agoniza dessangrada
No sexo ainda molhado, dolorido, transido de prazer.
Ai, momento irisado que anuncia a claridade
Deposita meu silêncio na mansidão das carnes
Como o quarto adormecido de um hospício!
Ai, brisa que navega sobre as tetas mornas
Sopra o rocio da manhã nos seios doloridos
E arrefece a chama dessa língua irrequieta!
E eu, poeta exausto, abraço a superfície do sono
Equilibrando-me entre palavras e desejos ermos.
O corpo nu da amada range no sonho seu instinto
E despeja no branco dos lençóis o vinho feminal
Exibindo-me os mamilos doces túrgidos em brasa
Como pétalas incendiadas de uma orquídea rara.
Eu me transbordo lívido de libido pelos limites da pele
E como um grifo cravo em seu corpo meu arpão de âmbar
E me comprazo de humano desvario em sua greta nua
Fustigando, ferindo, perfumando seu corpo enlouquecido
Que súbito mergulha no inconsciente e entrelaça-se em algas
De aflições escuras, como se assomasse ao cimo da loucura.
Até que após a luta o corpo exausto enfim entrega-se cansado
E como pássaro após a tempestade é puro canto, só ternura.
E a noite segue seu curso como anzóis jogados ao acaso:
Na cama uma borboleta de pelúcia agoniza dessangrada
No sexo ainda molhado, dolorido, transido de prazer.
Ai, momento irisado que anuncia a claridade
Deposita meu silêncio na mansidão das carnes
Como o quarto adormecido de um hospício!
Ai, brisa que navega sobre as tetas mornas
Sopra o rocio da manhã nos seios doloridos
E arrefece a chama dessa língua irrequieta!
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