NECESSÁRIO
É quando escurece que embarco
E meu barco solto de amarras
Segue sereno na valsa das ondas
Para o meio do imenso mar
Desaparecem os medos
Submergem as angústias
E esse oceano de silêncios
Abraça intenso meu dorso
Onde ninguém há comigo
Onde a água é o único nível
Onde encontro indelével
O incrível sentido de amar
Distante das terras, do continente
Longe dos meus propósitos
Ali deposito minhas preces
Despojo os sentidos e as vestes
Que rasgam, agarram e modelam
A liberdade e o estado de estar
E quando amanheço volto
Retomo o rumo e prossigo
Equilibrando meu vulto
Mais prudente, necessário e digno
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