Olhar intruso

A solidão deixou descampado
Teu olhar singelo
Enterrou as tristezas que tombam
Na larga caminhada dos semblantes
Imperceptíveis espiando a noite feroz
Agrilhoada a uma lágrima caindo mirabolante
Fechei as brechas por onde me fugia o tempo
Emoldurei cada eco escondido no escorregadio
Sonho despindo a desconsolada esperança exalante
Decalcada, confundida esmagada envenenando
As coloridas e ténues lembranças tão acutilantes
Esvaziei o copo do silêncio quando me embebedei
Com as memórias mais vigilantes
Agregando a alma com uma leveza de versos
Quase redundantes
Instante de um resquício de saudade errando
Na vilania dos tempos cativantes
Vil este destino que impacienta a noite caindo
De mansinho...de braços abertos regando cada
Lamento inseguro, avesso
Assustando todas as simetrias do amor que
Endosso num beijo intruso, viçoso e travesso
Frederico de Castro
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