A Doença Do Corpo – A Morte
Quando a força se esvai,
Aos poucos e poucos,
Lentamente, devagar.
Quando ainda ontem podia andar,
Enérgico, esbelto e assaz,
Egocêntrico, egoísta e jovem,
Inteligente, equilibrado e mordaz,
Atlético, imortal e feliz.
Hoje jaz deitado e entrevado,
Impotente, enfezado e sujo,
Indesejado, insalubre e dorido,
Introvertido, Infeliz e mortal.
Desiste ingloriamente resignado,
Desmiolado, rejeitado e esquecido,
Desonrado, desconhecido e cansado,
Autómato não autónomo,
Monótono de olhar estarrecido,
Vazio, baço e sem claridade.
A carne já em chaga,
Purulenta e decomposta,
Exposta aos elementos finais,
Putrefacta,
Pela terra a arfar,
E o cheiro Deus meu,
E o cheiro que exala!
Lx, 8-9-2009
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