A névoa
passa a areia pelo vento
a branca névoa oculta os passos
deslumbrantes passeios inquinados
rumores passados que nos acossam
vem o vento com os braços
carregados de areias cintilantes
tapa os passos do passado
aplana e prepara o espaço
em frente...
doce a violência do soar do mar
salpicos salgados afagam a pele
os passos inscrevem-se decididos
na lonjura da vida que continua
sorrisos rasgam-me agora a face
enquanto lambo o sal dos lábios
e são os teus que sinto... molhados
frescura que apaga o passado
em cujos silêncios me encontro
e o sal que adoça o sorriso
dos lábio meus... talvez dos teus
o mar ali ensurdecedor a gritar
o vento com a areia nos braços
os passos limpos... em branco
a neblina lá longe... esconde a dor
até se deixar de ver... difusa...
esquecida... soterrada pelo vento
na areia que persiste em tapar
os passos... os do passado
sobra o sal... e o sorriso...
que a névoa nunca ganha ao mar
e esse... foi sempre meu
Paulo Lemos
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