Filho da desilusão

Eu sou o fruto



Que o desespero criou



O eterno luto



Que a morte não aceitou







Sou aquele que a felicidade recusou



Que viu a luz



E que num êxtase se apagou



Como a solidão que me conduz







Sou o filho prometido



Que meu povo apedrejou



O fruto proibido



Que o corpo envenenou







Sou o filho do desespero



Que a solidão abandonou



Há tanto tempo que espero



A vitória que nunca chegou







Vens ter comigo



Mesmo com tudo o que fizeste



Como é que ainda me chamas amigo



Depois de tudo o que disseste







Caçador de histórias



Sonhador até na escuridão



Estas são as memórias



Do filho da desilusão
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Comentários (5)

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Fabio Mota
Fabio Mota
2026-01-24

Manuel bandeira seu conterrâneo

Alba
Alba
2025-09-14

Belíssima. Quantas saudades !

Assír Alves da Silva
Assír Alves da Silva
2025-07-12

Belíssima reflexão os dias anos passaram mas a lembranças com marcas profundas ficaram remorando a beleza de tudo que vivenciara tornou-se vagas recordações saudosistas.

Nelson Moraes Rego
Nelson Moraes Rego
2025-07-12

Grande poema de Manoel Bandeira, em que ele usa a comparação com as "voltas" da Cotovia pra expressar seu lirismo saudoso de uma terra querida, Pernambuco

Flávio Miguel
Flávio Miguel
2025-05-26

Lembrei dessa poesia, que a muito não declamava, conheço desde minha infância, declamado por uma professora inspiradora.Sensacional Manoel Bandeira.