Era para ser apenas
Era para ser apenas
O provar do beijo
Com sabor a café
E tu sorveste a íris,
O queixo e até
O ventrículo....
E sabido a pouco
Esse elixir doce
Esbocelaste o cálice
Devoraste o cristal...
E não fora
A geometria diagonal
Arbitrária e diapodal
de permeio entre os corpos cheios,
Em vez do toque enrubescente
No bar em penumbra
As mãos
Subreptícias,
Por debaixo da mesa,
Muito além da carícia
Teriam entregue a pele,
A sevícia
E ainda o testículo...
Era para ser apenas
O cheirar da flor
Branca em papel de prata
E tu pitadeaste
A quinta-essência
A seiva e o pecado original
E imarcescível o desejo
Fez-se anélito e antojo
Era para ser teu
No sábado que vem...
E tu Procrastinaste
O meu ingente atalante....
Comentários (1)
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2017-04-26
Poesia que mexe e estremece os pilares do coração. Belíssima. Parabéns!
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