Aos desígnios que inventei só porque sim …

Cheiro de jasmim e cana cortada ou
Os desígnios que inventei só porque sim...
Num tempo em que as paisagens eram florestas
E virgens as videiras, o dom do sonho era comum
Com os demais, tal como os cheiro a jasmim e
Cana cortada, todavia era minha alma incompleta
Sem os desígnios que inventei só porque sim,
Marquês dos sonhos e de tudo o que não tem fim
Em mim próprio, estar perto de ter estrelas no colo,
Em vez de estilhaços e pedaços de cana bamboo,
Não me concedem o direito aos saberes todos
Da Terra, a mim tanto se-me-dá, esqueço e ponho
Os desígnios acima de tudo e da copa das florestas
Pra que o mundo me deixe a sorte certa de ser eu,
Crível quanto as plantas cortadas em viés e delta,
Marquês dos sonhos, catedrais que erigi, só em solo
Do que poderiam ter sido ruínas que ninguém conhece,
Impossível dormir sem a veleidade de ser feito de céu,
Deusas princesas brincando com minha alma
E eu dono dos jardins de "quanto-se-pensa-existe",
Num tempo em que as paisagens eram florestas,
Deus deixou um espaço entre os ramos pra que o luar
Me revelasse o caminho, a vereda que sigo e me levará
Ao que inventei, só porque quis chamar de desígnio
Ao que é natural em mim, sonhar tanto e tudo,
Desde que o mundo me deixe sonhar acordado.
Jorge Santos (03/2017)
http://namastibetpoems.blogspot.com
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