Para além da distância

Com efeitos curativos a noite esvazia-se
Na escuridão, adormecendo a malandrice do silêncio
Que nos apetece...aromatizando o dia que nasce
Impaciente e de esperanças se reabastece
O ponteiro marca cada hora deambulando pelas
Esquinas deste tempo impaciente, perdido num coktail
De solidões onde me embebedo em cada beijo tão subserviente
Aprisionado naquele calafrio de desejos tão coniventes
Do alto do precipício pulam as palavras apoteóticas
Planam no planalto das ilusões aliciantes deixando no quociente
Do amor a aritmética de mil desilusões escalando este silêncio
Mastigando todo o prazer displicente...quase narcótico
Mitigo nesta lágrima um pouco da saudade em mim enclausurada
Recupero num fôlego aquele abraço recriado com muita elegância onde
Não existem mais distâncias, apenas e só a confidente circunstância desta
Ausência escapulindo consumada na reeleita esperança escorada com Tamanha exuberância
Frederico de Castro
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