MAIS FORTE QUE EU

... naquele dia,
comecei a sentir diferente
o vento,
a ver
diferente as coisas
do mundo
e a pirar
com a sedução das damas
de lingeries brancas
Era, digamos, inusitado em meus particulares atos. Reservado desde cedo. Nunca tinha visto algo assim além da minha imaginação.
Subi ao muro para andar em cima da lâmina. Esquilibar-me em fios, desde cedo sou acostumado, mas, de repente, teve uma mágica visão: uma deusa estava deitada se queimando no terreiro da casa dela só de calcinha e sutiã.
Lógico, era novo, mas já era um cãozinho esperto. Desci do muro só o pegando por cima com as mãos. Corpo escondido, mas olhos esquinados a postos.
A calcinha enfianda naquele rabinho, o pacotinho na frente da caldinha, os contornos das coxas junto com a bunda e alguns pelinhos por ali. Pelinhos, eu nunca tinha visto nada e aqueles pelinhos me fascinaram. Não é humana, pensei. E raro nessas coisas me enganava.
"O que tu quer vendo aí?", fui surpreendido pela pergunta, ao loge, do anjo.
"Nada, não, desculpa", pedi com medo e de lá me cascando.
Nunca soube o que ela pensou, mas sei que bati punheta imaginando aquilo por longos anos!
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