As nuances de se estar vivo
Dor? Tristeza? Angústia? Solidão? Temor? Aflição? Não sei o que sinto - acho que sinto todas essas emoções - pra falar a verdade, não acho, tenho certeza. Certeza tenho desse sofrimento que reside em mim, dessa apatia de viver, desse desespero em estar vivo... desse medo da vida. Tens medo da vida? Sim, o tenho. Medo tenho do sofrimento, da amargura, da tristeza, que assolam meu ser. Medo tenho de viver. Dor tenho; de viver.
A morte não me amedronta. Nos braços dela quero repousar, me acalmar, me reconhecer. Nela busco transcender; busco a mim. Busco buscar quem realmente sou. Quero poder saber quem realmente sou. Deves estar a pensar: como pode ele querer se descobrir na morte? Tens que descobrir-se em vida. Estás enganado, caro interlocutor. Essa vida a mim não deixa saber quem sou; não me deixa senti-la, experimentá-la... vivenciá-la.
Não quero realmente a gélida e pavorosa senhora do sono eterno. Quero apenas a mim; apenas quero encontrar-me.
Autor: RSS (Um poeta qualquer)
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