O CÁRCERE PRIVADO

às sombras da noite,
e os fogos
só estão acesos em outros
lugares;
tento vestir
uma jaqueta ou usar um cobertor
e dizem que sou um rato
a me esconder
do teatro;
tento apertar
uma mão pedindo apoio
e o que sinto são nódoas se escorrendo
por entre meus dedos
calvos;
e a bela e poética
tarde de verão nunca chega,
e fico ali,
qual pinto
molhado, com um baita frio,
até que tudo se finde
congelado.
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