Palavras e sentidos

As palavras com seus significados
Bebo-as inteiras sem mastigar ou sentir seu tacto
Engulo-as devoradoramente até mitigar de facto
Cada lamento, gostoso, apaparicado...a levitar...estupefacto
Vigio-as de noite, agregando-as em rimas expostas
Desnudas galgando desejos e paixões que se imolam
Na oralidade de uma palavra terna desfragmentada
Onde pernoitam as minhas solidões tecidas no desvelo
De uma madrugada que morre tão suavemente desapontada
Com palavras besunto o amor que caustico num
Beijo fiel e derradeiro
Deixo o rito de tempo macerando em sonhos corriqueiros
Inconfessáveis, atarantados...cochilando assim desordeiros
Derramo sob o mar dos meus versos todas as
Palavras que outrora me afogavam num aguaceiro
Prenhe de rimas forasteiras, esbravatando todo verbo
Carente, manietado, ululante, desaguando lesto nesta
Maresia de palavras apaixonantes e matreiras
Ficou só uma noite escassa, perdida no vão de um
Comovido silêncio, calcorreando todas as colinas desta
Minha solidão aventureira, consumindo a luz que agora amaina
Tanta escuridão, ousada, nefasta contorcendo-se perante a
Dissoluta vida, feita utopia num incontido bramido tão absoluto
As palavras estendem-se pelo tempo, letra por letra
Soletrando ilusões que despertam até deglutir o ténue
Poente que reverbera pela serenidade de tantos sorrisos grogues
Apaixonados, plicando os sentidos dançantes entre os estuários
Da vida, ambulante, aventureira...ovacionada...enfeitiçante
Frederico de Castro
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