Noites excêntricas

Vesti cada palavra com ritmos excepcionais
Colori todos os vocábulos com um lirismo purificado
Na mais plena rima toda excêntrica...toda ficcional
Embandeirei em arco este verso embebedado até à
Última gota semântica que dessedenta uma estrofe soluçando
Completamente afoita, desesperadamente acutilante e astuta
Vou por caminhos solitários espevitando a memória confortada
Banhada em tantas lembranças reclusas na epiderme deste
Silêncio tão inconsequente...quase sempre delinquente e atordoado
O tempo perdeu sua meninice entrou numa adolescência
Tão eloquente engravidando aquela meiga escuridão onde
Inquieta e mais pungida, repousa esta minha tão cruente reclusão
Airosos e tão pirómanos deixei todos os meus heterónimos ateando
Fogo a cada verso que desembainho da minha enciclopédia anónima
Onde se alforria aquele desejo convalescendo romântico e bem revigorado
Frederico de Castro
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