SORUMBÁTICO

Segue o transeunte sua caminhada
Observando as lentas pegadas ao longe
sem destino certo, mira a sombra
Que o guia marcando o chão.

Dizendo de como é lúgubre caminhar
Sem uma alma para o acompanhar
Tendo apenas o suor para consolar,
O gemido do fôlego a cada passada.

Segue o ser quase moribundo mundo afora,
Carregando sua infelicidade na vontade quase
Apagada de o sol esfriar e não queimar sua nuca.

Continua a caminhar e sente suas passadas
No final do pesadelo sufocante, onde
Seu ventre grita o insano desejo de nascer
Para um novo dia e aprender a enxergar
O brilho do majestoso Sol.

Fernando Cartago
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