CONFESSO QUE DANTES TINHA MEDO
Confesso que dantes tinha medo
que me trocasses por alguém
pois o teu rosto e
aquele teu ar indiferente
não escondiam o vulcão que sempre foste
que inspirava qualquer um a dar um jeito.
Com os anos foram-te pesando
as mágoas e não só
por não teres sido tudo o que querias
por isso bebias e agravavas
coisas que não digo e deformavas
a brancura firme do teu corpo.
Só teus olhos me fazem recordar
o brilho da lua sobre o sexo
como espantávamos á noite pelo campo
coelhos mochos e o medo
de sermos descobertos.
Dão mais luz e dignidade á nossa vida
como flores num velório tais lembranças
enquanto ficas para ali assim parado
com as mãos cruzadas sobre o peito
parecendo cada vez mais afastado
á espera que te faça o que for feito.
antonio tropa
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