Cavalgando pelo silêncio

Descalço e vadio o tempo cavalga pela madrugada
Solitária e atrevida, desnudando-se em gomos de
Uma sensualidade quase inescrutável
Nas veias do tempo descarrila minha solidão
Sempre inadiável abraçando-se a uma saudade
Que tanto, tanto anseio assim insaciável
Foram estas cruéis ausências que desmemorizaram
Minha clemente fé qual confidência de todos os actos
De amor que lavro nestes sedentes versos marginalizados
Neste bailado de finas consoantes reverbalizo um verbo
Apaixonado, seduzido, embalando o hiato silêncio palatizado
Pelas vogais que conjugo neste tempo passivo, infinitivo...sincronizado
Os aromas que nos são fiéis jorram agora da noite perdida
Numa alegórica solidão, antítese de um inconsolável desejo
Altruísta que fermenta e leveda seduzido por um beijo quase inescusável
Frederico de Castro
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