Quadros não-coloridos
Canário cantava em
seu poleiro de madeira, preso encantado;
Gaiola pálida;
Penas plúmbeas em seu
cantar enferrujado
Soava em meus ouvidos
como notas claramente coloridas.
Nas paredes que minha
sombra insistia em trepar, enroscava seus dedos encardidos ,
Em plantinhas
minusculamente verdes e
Em outras já cheias
de tumores negras pois deixaram de querer viver e ver o sol amarelo e vermelho
e lilás;
Pensamento em Emersom
para aplainar pensamentos tortos e bêbados...
Ainda estava
enfeitiçado pela alva enfermeira G,
Que trazia em seus
ombros borboletas
E em suas
espirotrombas traziam o descanso e o descaso do esquecimento;
Só não a perdoava
quando acariciava minhas mãos,
E encostava suas
sardas amarelinhas no meu rosto roto,
Sussurrando palavras
indecifráveis em um idioma saudosamente latino,
De seus lábios saiam
perfumes coloridos e inertes e azuis;
Um líquido escondido
saiam de suas mãos e dentre seus dedos
Penetravam em minhas
cidades luminosas com seus habitantes vermelho-hércules.
Em convulsão
frenética e crânio produzindo sons monstruosos e assustadores me acalmo.
Enquanto a enfermeira
G* em seus seios belos, satisfeito por livrar a humanidade do pecado e coroada
de êxito pelas suas lagartas transformadas se afastava, procurando um quarto
escuro para a sessão de eletrochoque.
Um anjo que estava
observando tudo de longe e em limoeiro verde e de cheiro de maçã aproximou-se ,
pousou suas testa em meus lábios e de forma preguiçosa falou por entre
canções...
"Que inferno seria se
você se desse conta que pessoas, lugares, os momentos mais importantes de sua
vida não houvesse sumido ou morrido...mais pior... Nunca houvesse existido? Que
inferno seria?"
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