Memórias de vento


Memórias de vento

Deviamos ter visto o rio de longe e não colocado os pés nas águas de vento,
O que temos nas encruzilhadas do tempo?
Será um caminho de outro vento?
Talvez seja isso ou a maré está em outras passagens,
Seja o que for ou que será dessas passagens,
Talvez o vento esteja ventando muito pouco ou o sol deve estar a pino até de mais,
Só sabemos que as horas passavam despercebidas no rojão desses ponteiros,
Talvez seja meia noite ou esteja enganada,
Pode ser dez horas, quem sabe onze,
Mas vamos esquecer dessa tal de horas e mergulhar em outros caminhos,
Aquele bolo que gardamos para o dia seguinte e o cinema que adiamos, por uma visita fora de hora,
Tudo isso são coisas que não podemos evitar, que acontece de repente,
Como uma chuva que vem do nada e uma gata que corre apreassada pela casa,
Vamos voltar àquelas memórias,
Essas miúdas e incansáveis lembranças, que surgem no respirar do vento e no encurtar do tempo,
Foram esses desalinhos de pensamentos que se encontravam em algum devaneio do tempo,
E esse tempo que se encontrava nesse deixar do vento,
Sim e apenas isso, ou quase isso, ou são coisas tão pequenas que flutuam nas águas do mar,
O que resta e desmanchar essas memórias ou guardar algumas lembranças de outrora?
Pode ser uma boa idéia, guardar essas memórias,pelo início ou pelo fim?
Não importa ou quem sabe importa alguma coisa,
A não ser que esse tal recordar sirva para alguma coisa,
Se não servir,
Temos um tempo para deixar as coisas partir,
E assim foram essas memórias e incansáveis e minúsculas memórias,
De um fino tempo,
Mais fino que o vento,
Nessas passagens do tempo,
Que sacode o mar.




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