Nos limites da solidão

Ali chora a vida estampada num capricho solitário
Colhendo entre espinhos e abrolhos o reeditante momento
De vida mascarando a arquitectura do tempo que passa por
Aqui tão transitário despontando algoz e autoritário
Desintegram-se as alegrias num átomo solitário
Explodindo na negrura de um sonho infestado de lamentos
Totalitários qual hora que vasculho entre os cílios da noite
Em escravatura fenecendo em ti tão arbitrário
Enquanto a noite corre lentamente pelos trilhos do silêncio
Enrolo-me no lençóis dos desejos acariciando-te até aos limites da
Minha sofreguidão nua, estática adormecendo ao colo de uma
Madrugada perplexa renascendo com uma fúria quase lunática
Os prantos esquecidos de nós acoitam-se na solidão mais
Enfática permeando o silêncio que desembainho num rebatido
E soçobrante sorriso que clama na clave do cromático tempo infectado
De sonhos fartos , insuperáveis...quase telepáticos
Cobri-me com o edredom dos meus silêncios estilísticos
Policiei esta amor recostado no divan de tantas enfermidades
Escleróticas, impregnando a noite com a fuligem do tempo que fenece
Solenemente apático,desesperadamente frenético...quase selvático
Frederico de Castro
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