Pelas frinchas desta solidão

Entreabre-se no tempo uma hora tão solitária
Acoita-se entre os vales desta ilusão excedentária
Aninham-se num silêncio inescrutável fugindo pela frincha
Da solidão selvagem quase inevitável...quase inimputável
Pelas frinchas da noite escapuliu um gomo de luz
Deixando na ruptura da alma uma subtil fenda instável
Bulindo esta solidão estilhaçada...incontestável
Manobro como quero até as palavras mais carentes
Elixir ou dopamina dos meus desejos virtuais ou
Tónico ardiloso que transpira das nossas dermes tão latentes
Esgueira-se aquele horizonte vestindo o vulto da noite
Com tenazes gomos de luz engolindo a escuridão ali adjacente
Até que se mate de vez este silêncio, versátil...complacente
Frederico de Castro
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