RECORDAÇÕES DA INFÂNCIA
Na palma da mão nasceu um passarinho
uma cotovia que tirei do ninho
para ver como era
(Eu era um menino).
Lavravam bois além na tarde de vidro
e um assobio meio adormecido
pelo calor do sol
Eu e mais ninguém.
Num palheiro ao lado, no monte perdido
poalha de vida ,milho no telheiro
palha de centeio um pouco abafada
pelo cheiro das ovelhas, relhas, telhas, sacos
cancelas, buracos que dão para o caminho
Sombra de azinheiras
pedras velhas, cacos.
Depois lá em baixo a horta da tia
que ficava mesmo ao lado da fonte
onde as raparigas iam com os asados
menos pela água que pelos namorados.
Num dia de boda fomos á capela
era dia da festa ,perto do castelo
Por ali abaixo fui comer um cacho
sob as laranjeiras da mulher mais bela e
ver os comboios que vão prá cidade.
Com tudo isto uma grande canseira
por ali acima As rolas na eira
na hora da sesta e os corpos parados.
Um pouco depois outro fogo na serra
a tarde doía e nós por ali
num grande alvoroço de enxadas machados
Mais este desgosto.
Já é noite agora no Vale do Meio Dia
o que era alegria caiu para um poço e
aquela alminha ninguém sabe dela
vou rezar por ela para ver se a encontro.
antonio tropa
.
Comentários (1)
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2012-10-13
É belo seu poema até voltei ao passado e me vi ali sentado olhando para o futuro mas o que eu mais queria era estar presente neste teus encantos Parabéns amigo
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