Seguindo o luar

Esquecido ficou o silêncio quase dissolvido
Num pranto insolente e vadio
Lascivo amanhecer este que rompe a lúgubre
Solidão entre subtis abraços e desejos tão reabsorvidos
Desperta a manhã com gestos embriagantes
Alheia e dispersa num vago luar ruiu uma hora
Banal, cortês...vagante, empoleirada a sinfónicas
Caricias que se aninham em minh'alma assim quase rogante
Segui noite dentro ténues vestígios de um luar
Doce e apelativo mastigando a solidão
Que se apieda de nós assim indiferente...oh desilusão
Por quem sois, senão mais uma ilusão a apaziguar
A madrugada cuidadosamente esculpida por beijos
Perpétuos recobra o sedento desejo do amor fluindo
Entre dois corpos...dois pensamentos que purgam das
Palavras apaixonadas um silêncio qual fogo fáctuo nos consumindo
Frederico de Castro
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