Por um fio

Em muitos mil quilómetros de solidão
Pousam tantas horas presas a um
Filamento de tempo em reclusão
Drenam irremediáveis silêncios macios
Intensos, delicados, presos por um fio a cada
Sonho feito epitáfio de tantos desejos que alício
As memórias dos tempos idos deambulam pelos
Beirais da saudade, amainando cada hora elegante
Alimento para tantas ilusões perplexas e acutilantes
A noite consome todos os silêncios quase devorantes
Esculpe em cada lamento uma oração prostrada neste
Altar da solidão onde aquieto minha fé mais reconfortante
Ficou inoperante aquela brisa consumida numa hora
Errante velada pelo vendaval de gargalhadas cativantes
Palpitante e solene partilha de desejos sempre tão estimulantes
E assim equidistantes desmoronaram-se as manhãs fitando
A luz envelhecida pelo tempo que se embebeda deste enrubescido
E derradeiro beijo...quase um queixume feliz e mais apetecido
Frederico de Castro
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