Roçagante ilusão

Bóiam nos silêncios marítimos
Fragmentos de memórias infinitas
Até se perderem numa onda que neste
Mar navegando, em cada hora temerosa levita
A solidão perdeu-se no descalabro de um minuto
Revolto e afrontado que se estatelou rigorosamente
Acabrunhado qual exultante saudade ciscando
Aquelas memórias que hoje apascento cordialmente
Dia após dia roçagam em nós tantas ilusões tão
Bem ornamentadas vestindo o mui singelo silêncio
Acomodando cada signatário beijo sempre agigantado
No limiar dos tempos mais subversivos falece
A solidão carimbando a noite atapetada de mágoas
Incisivas vergando até a serviz deste silêncio quase compulsivo
Frederico de Castro
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