Era uma vez um saco
Sou saco perdido
no meio da estrada.
não sei se vazio
se cheio do nada.
Sou cabra sou cobra
sou coroa de rei.
sou fada madrasta
nas teias da lei.
Sou puro sou virgem
sou casto no lar,
sou bruto sou bronco,
sou monstro no mar.
Sou pajem, sou prenda,
sou tenda contigo.
Sou farsa sou frágil,
sou falso comigo.
Sou saco perdido
no meio da estrada,
não sei se vazio
se cheio do nada.
Sou belo, sou crente,
sou ponte do rio.
Sou luz e sou fonte,
no meio do frio.
Sou filme, sou vento,
se tento lutar.
Sou palco, sou cena
sou pena a voar.
Sou cana batida
pelo vento de lado,
que goza na vida
bocado a bocado.
Sou saco perdido
no meio da estrada,
não sei se vazio
se cheio do nada.
Sou naco de broa
na boca do mundo,
palhaço, cantor.
pastor, vagabundo.
Sou prenda embrulhada
em papel de jornal.
Sou coisa, sou loiça
sou simples mortal.
Sou saco perdido
no meio da estrada,
não sei se vazio
se cheio do nada.
Mas parto contente
de tudo o que sou.
Não sei se sou gente,
não sei se sou crente,
não sei de onde venho
nem para onde vou.
Mas sei o que sou.
Um pouco de ti.
um pouco de mim.
um pouco do outro
que por mim passou.
14/04/1968
no meio da estrada.
não sei se vazio
se cheio do nada.
Sou cabra sou cobra
sou coroa de rei.
sou fada madrasta
nas teias da lei.
Sou puro sou virgem
sou casto no lar,
sou bruto sou bronco,
sou monstro no mar.
Sou pajem, sou prenda,
sou tenda contigo.
Sou farsa sou frágil,
sou falso comigo.
Sou saco perdido
no meio da estrada,
não sei se vazio
se cheio do nada.
Sou belo, sou crente,
sou ponte do rio.
Sou luz e sou fonte,
no meio do frio.
Sou filme, sou vento,
se tento lutar.
Sou palco, sou cena
sou pena a voar.
Sou cana batida
pelo vento de lado,
que goza na vida
bocado a bocado.
Sou saco perdido
no meio da estrada,
não sei se vazio
se cheio do nada.
Sou naco de broa
na boca do mundo,
palhaço, cantor.
pastor, vagabundo.
Sou prenda embrulhada
em papel de jornal.
Sou coisa, sou loiça
sou simples mortal.
Sou saco perdido
no meio da estrada,
não sei se vazio
se cheio do nada.
Mas parto contente
de tudo o que sou.
Não sei se sou gente,
não sei se sou crente,
não sei de onde venho
nem para onde vou.
Mas sei o que sou.
Um pouco de ti.
um pouco de mim.
um pouco do outro
que por mim passou.
14/04/1968
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