A MULHER DO PRÓXIMO
De frente de minha casa,
mora uma mulher que, toda tardinha,
senta-se na beira do passeio
da casa dela;
e eu, mais ou menos
no mesmo horário, sento-me
no passeio de minha casa de frente
para a casa dela.
Como somos ambos
casados, temos muita discrição e cuidado,
deixantudo tudo ao acaso
dos olhares;
vez em quando um sorriso,
vez em quando uma cruzada de pernas,
vez em quando um pedaço da calcinha,
vez em quando um sonho molhado,
vez em quando uma esperança que jamais
será frutificada,
vez em quando
uma escondida e excitante punheta
espumada!
mora uma mulher que, toda tardinha,
senta-se na beira do passeio
da casa dela;
e eu, mais ou menos
no mesmo horário, sento-me
no passeio de minha casa de frente
para a casa dela.
Como somos ambos
casados, temos muita discrição e cuidado,
deixantudo tudo ao acaso
dos olhares;
vez em quando um sorriso,
vez em quando uma cruzada de pernas,
vez em quando um pedaço da calcinha,
vez em quando um sonho molhado,
vez em quando uma esperança que jamais
será frutificada,
vez em quando
uma escondida e excitante punheta
espumada!
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