Observador

Criava poemas olhando o mar

Marejava os olhos por tanta beleza

Permitia a si mesmo sentir prazer

E vivia a vida sua, sorvendo néctar



Por mais que falasse de amor

O amor não o queria

Apenas fazia uso de sua alma



Na carne senti o frio, e o calor do atrito

Nas veias corria o sangue de amargo gosto

Pensava em ser um dia alguém com rosto

E andava perambulando como uma vadia

Negava a existência de Deus e da morte



Rezava sob o estigma da alegria

E nada lhe tornava santo ou demônio

Pois era ambos num mesmo corpo

Num mesmo ser



Um dia encontrou o que podia

Ser para si uma redenção

Pensou assim fazendo a romaria

Em busca do que então lhe satisfazia



E andou por léguas tantas por tantas terras

Penou por sentir a fome dos poetas

Até chegar a dita cuja terra prometida

E com tristeza percebeu que ela não existia.
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