Noite profunda

Ao colo da solidão fazem-se permutas de
Beijos num silêncio sigiloso e longânimo
Adormecem todo infinito olhar que aconchego no
Sereno e enamorado breu acontecer assim magnânimo
Num pesar mais que profundo o silêncio morfologicamente
Acrónimo, sobe pela delicada negrura do tempo anónimo
Borda sua luz que cintila apaixonada em cada sonho doce e
Languido, suspirando corpulento e revigorado
Vou emoldurar esta noite que escorrega pelos beirados do
Tempo agilíssimo e desancorado até se perder entre os braços
Da solidão vociferando inquieta e exasperada, ao degustar
Todos os prazeres e alegrias onde me embebedo de bom grado
Dos planaltos mais elevados cai agora um aguaceiro
Saturando a vida com cascatas de sorrisos bem perfumados
Até que decrete à solidão um blackout às palavras que gizei
Numa caricia tão bem adestrada
Frederico de Castro
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