Demolidora solidão

Prisioneiro de tantos atordoados silêncios
Suspiro a leveza desta noite que navega
Em suplícios tristemente sintonizados naquele
Revelador momento de tempo tão vulgarizado
Dúbias madrugadas renascem espontâneas
Decompondo a negrura da escuridão quase inutilizada
Eureka! Engravidou-se a luz esguichando beijos
Tantos quantos uma gargalhada feliz e anarquizada
Assim inflexível a solidão deixa um arguido lamento
Caminhar ao ritmo de uma ilusão quase fanatizada
Engolindo as dores da saudade implacavelmente hostilizada
Sobrevive no tempo e na memória, aqueles ensurdecedores
Gestos da alma latindo de tristeza tão breve, quase bajuladora
Adornando até mil oitavas da minha dor ecoando demolidora
Frederico de Castro
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