Horas coagidas
O rosto em lágrimas molhado de prantos deixa à
Deriva um silêncio quase bravio tecendo a esmigalhada
Solidão que dormita esguia e elástica entre os ecos de um
Lamento disperso perscrutando todo suspiro mais sedento
No turbilhão das memórias mora uma saudade corrompida
Embebedando cada lauta hora mais hispida aninhando os fardos
Que carrego aos ombros da vida definhando quase coagida
Tatuo cada verso com palavras sempre em sintonia
Desperto aquela rima que antes inibida agora enaltecida
Pela fé grita, grita, grita, urdindo uma oração bem ressarcida
A noite mordisca impetuosamente a escuridão tão frágil
Tão apetecida degustando cada beijo que hiberna em nós depois
Enternecido aquietando toda lágrima jazendo letal na face do
Tempo à tanto tempo penando esquecido e fatal
Frederico de Castro
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