Despertar é desilusão

Não há silêncio que se doe...
Não há silêncio que se doe,
Nem voz que me determine
Quanto dói o doer, contudo
Nem abafa a dor quem cala
Nem aquele que mal sente e
A fala, não há silêncio que
Se doe nem palavra que
Pague o que sinto eu, seja
O que for, alegria pode nem ser
Dor, nem liberdade terminar
Em prisão, assim sendo
O desamor é feito do mesmo
E a fé, o ódio que se derrama...
Não há silêncio que se doe
Ou amor que não se acabe
Tal como aquilo que nos une
E dá vida o ar, existe pra
Soprar nele a voz sem um
Ou outro pensarem nisso,
É o que define o sentir
Um desejo sem fronteiras
Pois sonhos são de todos
Quer se dêem que me doam
Ditos alto ou falando baixo
Não há silêncio que se doe
Nem palavra que me pague
Ter é perder possuir e não
Dar, despertar é desilusão
Embora não doa tanto a dor
Quanto este, doce me fala
Ou ouço, não há silêncio
Que termine o falar, nem dor
Que valha algo de pouco valor,
Assim acontece que me ouço a
Pensar e esqueço o desejo
Da fala, me dói o silêncio,
Falar é ilusão ... pretexto.
Joel Matos (04/2018)
http://joel-matos.blogspot.com
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2018-04-06
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