INSOLENTES MÁSCARAS
Os abnormais se disfarçam
com insolentes máscaras,
entre labirintos idílicos
e bestiários demoníacos.
As rimas que engravidam sonhos
e os verbos que ressoam regozijos
evidenciam as hégiras iludidas
das próprias senciências espúrias.
A pura e virgem floresta foi
inexoravelmente violada,
gerando multidões de filhos apócrifos,
de modo que as chagas marfolhas
se espalharam por todo espectro:
pássaros artificiais
voam a cingirem os céus
com sonhos, fantasias
e esperanças exíguas;
borboletas flutuantes
pululam, de flor em flor,
a adornarem esplêndidos
jardins rupestres;
pavões menestréis
pupilam composições de belas sinfonias,
para tentarem mover
inércias oníricas;
papagaios despercebidos
tartareiam, em repetições moucas,
as reticentes promiscuidades
dos verbos e dos versos;
vagalumes incautos
elogiam, luzindo seus faróis,
os ermos e frios silêncios
das sombras noturnas;
marimbondos negros
não conseguem, carregados
de solidão e ruína, ladear risos
em quimeras inexeqüíveis;
serpentes assassinas
silvam, em fome insaciável,
às rasas e secas superficialidades
dos chãos e dos lodos;
lobos se vestem ovelhas,
em soturnas esperas,
para o abate das frágeis presas
que perderam as asas.
Ao fim, o baile está formado
no inferno dos homens;
e os corpos dançam encurvados
em intensos frenesis,
à nau das insânias
incontidas, das palavras voláteis,
das concupiscências vadias
e das esperanças exíguas.
E as almas - se existem -
singram em agonia, por não termos
o mínimo de cuidado para que
não morram no vazio.
com insolentes máscaras,
entre labirintos idílicos
e bestiários demoníacos.
As rimas que engravidam sonhos
e os verbos que ressoam regozijos
evidenciam as hégiras iludidas
das próprias senciências espúrias.
A pura e virgem floresta foi
inexoravelmente violada,
gerando multidões de filhos apócrifos,
de modo que as chagas marfolhas
se espalharam por todo espectro:
pássaros artificiais
voam a cingirem os céus
com sonhos, fantasias
e esperanças exíguas;
borboletas flutuantes
pululam, de flor em flor,
a adornarem esplêndidos
jardins rupestres;
pavões menestréis
pupilam composições de belas sinfonias,
para tentarem mover
inércias oníricas;
papagaios despercebidos
tartareiam, em repetições moucas,
as reticentes promiscuidades
dos verbos e dos versos;
vagalumes incautos
elogiam, luzindo seus faróis,
os ermos e frios silêncios
das sombras noturnas;
marimbondos negros
não conseguem, carregados
de solidão e ruína, ladear risos
em quimeras inexeqüíveis;
serpentes assassinas
silvam, em fome insaciável,
às rasas e secas superficialidades
dos chãos e dos lodos;
lobos se vestem ovelhas,
em soturnas esperas,
para o abate das frágeis presas
que perderam as asas.
Ao fim, o baile está formado
no inferno dos homens;
e os corpos dançam encurvados
em intensos frenesis,
à nau das insânias
incontidas, das palavras voláteis,
das concupiscências vadias
e das esperanças exíguas.
E as almas - se existem -
singram em agonia, por não termos
o mínimo de cuidado para que
não morram no vazio.
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