MUTAÇÕES
Ao alvorecer,
entre as coisas singras
do mundo,
aprendi a fertilizar
vazios, com as incautas salivas
do verbo.
Ao entardecer,
entre as metamorfoses dos pássaros
e das borboletas,
já era céus,
mares e sonhos no disfarce
plácido.
Ao crepúsculo,
pela primeira vez, resolvi contemplar
meu envilecido reflexo
e percebi que era,
na verdade, um penhasco
taciturno.
À noite,
fria e insone, com o cálice vazio
entre destroços e cinzas
rupestres,
ando-me a esperar,
em convulsões íntimas, meu definitivo
estio de mim
no apagar-se
das faustas e degeneradas
luzes do palco.
entre as coisas singras
do mundo,
aprendi a fertilizar
vazios, com as incautas salivas
do verbo.
Ao entardecer,
entre as metamorfoses dos pássaros
e das borboletas,
já era céus,
mares e sonhos no disfarce
plácido.
Ao crepúsculo,
pela primeira vez, resolvi contemplar
meu envilecido reflexo
e percebi que era,
na verdade, um penhasco
taciturno.
À noite,
fria e insone, com o cálice vazio
entre destroços e cinzas
rupestres,
ando-me a esperar,
em convulsões íntimas, meu definitivo
estio de mim
no apagar-se
das faustas e degeneradas
luzes do palco.
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