A SENCIÊNCIA É A GLÓRIA E A DESGRAÇA DO SER!
Embriagado e perdido,
a vagar pelos estranhos fulcros
de minhas próprias
senciências,
tudo que já se me ocorreu,
desde a raiz brotada ao chão
até o galho mais alto que
já alcancei na vida,
agora parece repassar-me,
em câmera lenta,
aos falhos e doloridos sentidos
da memória:
arlequins, pierrots e colombinas
com suas fantásticas estórias
e aventuras pelos caminhos
do mundo,
menestréis e damas puristas
com suas esplêndidas palavras
feitas a fluorescências
tremeluzidas;
e, entremeio a eles,
um alucinado niilista
ora se pensando um deus,
ora um mito ou lenda,
ora ainda um cão a se esgueirar
pelas sobras das imagens
fabricadas,
mas que, após aplausos e vaias
em tantas atuações pelos palcos mambembes,
percebeu-se um mero e acidental sapiens
condenado à pseudoimensidade
que de si faz emergir
abnomalamente.
E compreendeu, enfim,
que o esplêndido e o abissal de tudo
sempre esvaem juntamente
nos rápidos veios
do tempo.
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