Até tu...silêncio !
Na lezíria do tempo desnudo todo
Sossego disperso numa lamúria acantonada
Nesta esperança conversa nutrindo o global
Momento de solidão ali imersa e bem escrutinada
Até tu, silêncio ceifas da noite uma ilusão tão sórdida
Peregrinando pela escuridão que agora se desfaz num pranto
Abocanhando até o sonho pontual e convalescente
Enlutando o dia convincentemente complacente
Até tu, silêncio retiras-te e entranhas-te no cântaro das
Minhas solidões onde o tempo tão permeável e flagelado
Se acoita nos breus da saudade padecendo desolada
Até tu, silêncio, agonizas soberano e triste... mais dissimulado
Injectando nas memórias o regenerado desejo de tantas veladas
Palavras timidamente lacrando a vetusta hora morrendo violada
Frederico de Castro
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