Cinza cinza ...

Cinza cinza ...
Extraio coisas tão pequenas,
Que nem ausência possuem,
Quando apenas nuvens, antes
De se integrarem no que devem
Ser e são em mim peculiares,
Assombrosas velhas/vestes, sonho
O Evereste e só de pensar o
Destruo, ao que me parece
Acanhado e estranho, despido
Tal e qual um peixe-triste,
Extraio coisas tão pequenas,
Quantas o mundo me deixe,
Ecos sem qualquer crença,
Ou semelhança no fundo
Ao sentido que se diz "ser tudo",
Meu próprio papel e embrulho,
Me convenço depois de nada ser,
Apenas ausência de claro/escuro
Que tod'a presença em mim possui,
Excepto cinza, cinza e escuro,
Nunca tive a arte da tinta fresca,
a alquimia da cor certa, estimula-me
O cinzento, embora consiga pensar
A preto nos mundos que criei, improviso,
Pinto cinza inclusive a luz do sol,
Inevitávelmente a nudez humana,
Cinza o que não me fizeram ser,
As avessas do meu ver,
Coisas tão pequenas, a repetição
Dos dias sempre iguais, a competição
De um relógio parado, com a parede
Em frente, cinza escuro.
Jorge Santos (04/2018)
http://namastibetpoems.blogspot.com
Comentários (1)
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2018-04-19
caro amigo nem acredito que andasse a favoritar tanto poema meu, não acredito sequer que os tivesse lido, mas se foi para machucar, não necessitava, que eu sei bem o meu lugar na escrita, não tenho o ego a explodir.
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