Desaguando entre o silêncio

Fechei as persianas a este silêncio
Que teima violar a partilha de palavras
Cordatas, deixando às apalpadelas aquela
Solidão, dúbia , dolorosa trajada de mil mazelas
Intensa mas intranquila a noite recria sua
Escuridão sempre emancipada, aprimorando
Cada inflexível murmúrio sorrateiramente encorpado
Com desejos ferozes, implacáveis...quase dopados
E assim desaguou todo silêncio juntinho às margens
Daquele riacho estridulando veementemente até que uma
Onda periclitante adormeça no leito do tempo capitulando
Destilam pela madrugada embebedados gomos de
Prazer sempre ensurdecedores adornando meus devaneios
Sibilando entre a conivência de tantos beijos tão apaziguadores
Frederico de Castro
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