No exílio da noite

Emaranhados no horizonte dos tempos
Amadurecem grãos de luz silenciando
Todos os ecos e devaneios predestinados
Descansam em soltas partículas de solidão
Espanejando outras lembranças que trago na
Baínha das memórias em reclusão
Regateio da madrugada oclusa toda a negrura
Da noite profusa decapitando aquelas emoções
Sonolentas trazidas pelo silêncio de muitas comoções
Cansada e só a saudade retira-se para o divã das
Minhas fiéis prelecções amorosas ao acudir um
Verso sustido em suspiros e palavras tão fogosas
Numa proposta indecente o dia roubou-me
Aquela hora meticulosamente medida e apaixonada
Estimulando os adornos sensuais da alma ofegante e alucinada
Instável e perene a solidão desgarrou-se no labirinto de
Todos os meus desassossegos complacentes ao patentear
O exílio onde sem lacunas fenece o tempo quase demente
Frederico de Castro
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