Já era tarde....
Já era tarde, sem alardear abriu a porta igual ao andar macio do gato que espreita a presa. Carregava além dos olhos tristes, as mãos calejadas e um sorriso tímido. Sua barba já estava no ponto de ser aparada. A luminosidade de seu rosto contrastava com a pouca luz que invadia o ambiente. A sala era composta de paredes que guardavam lembranças empoeiradas, sobre a mesa de quatro cadeiras um lampião enfumaçado suspirava a última chama de uma paixão. No fogão, a panela ainda guardava o calor do alimento. Pela fresta da porta era possível ver o outro lado. Pouca coisa se via.
Os primeiros passos foram dados de forma quase que imperceptível. Logo ao chegar o ranger da porta o denuncia. Ela percebe o movimento e indaga sobre a hora. Ele desconversa. Andou perambulando pela cidade, organizando as ideias. Devido a pouca claridade do quarto, a luz sobre a cama era quase neon, a janela aberta e a claridade da lua com a ajuda preguiçosa do candieiro faziam o cenário sob seus olhos refletirem a beleza singular da mulher que se estendia naquela cama.
Ela se endireitou e o chamou para perto de si. Pediu que sentasse. Ela tinha o perfume enebriante e ele o suor de um dia. Permaneceu cabisbaixo. Ela ainda procurava entender o porquê da inquietação que o acompanhava. Ele guardava ainda nos olhos a paixão de outrora, mesmo com todos os percalços que o tempo moldou. Certa vez leu que o raio não tinha só beleza. Na verdade, não sabia administrar a mudança do tempo, não compreendia os sons do vento e nem o que os pingos da chuva traduziam. A segurou pela mão e a beijou na testa, saiu em direção ao banheiro. Sua visão ficou turva com o transbordar da represa de seus olhos. Por um instante levou as mãos ao rosto e sentiu o perfume dos anos.
Quando voltou, ela já adormecia, carregava dentro de si as mudanças, ele ainda transbordava suas inquietações. Na forma horizontal ela era transformada em poesia. Tudo aquilo que estava acontecendo era somente amor.
Os primeiros passos foram dados de forma quase que imperceptível. Logo ao chegar o ranger da porta o denuncia. Ela percebe o movimento e indaga sobre a hora. Ele desconversa. Andou perambulando pela cidade, organizando as ideias. Devido a pouca claridade do quarto, a luz sobre a cama era quase neon, a janela aberta e a claridade da lua com a ajuda preguiçosa do candieiro faziam o cenário sob seus olhos refletirem a beleza singular da mulher que se estendia naquela cama.
Ela se endireitou e o chamou para perto de si. Pediu que sentasse. Ela tinha o perfume enebriante e ele o suor de um dia. Permaneceu cabisbaixo. Ela ainda procurava entender o porquê da inquietação que o acompanhava. Ele guardava ainda nos olhos a paixão de outrora, mesmo com todos os percalços que o tempo moldou. Certa vez leu que o raio não tinha só beleza. Na verdade, não sabia administrar a mudança do tempo, não compreendia os sons do vento e nem o que os pingos da chuva traduziam. A segurou pela mão e a beijou na testa, saiu em direção ao banheiro. Sua visão ficou turva com o transbordar da represa de seus olhos. Por um instante levou as mãos ao rosto e sentiu o perfume dos anos.
Quando voltou, ela já adormecia, carregava dentro de si as mudanças, ele ainda transbordava suas inquietações. Na forma horizontal ela era transformada em poesia. Tudo aquilo que estava acontecendo era somente amor.
Comentários (0)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.
Outros poemas de participantes
Feito do brotar mais profundo
Foi
Através
Da sólida direção do todo
E não somente
De toda a totalidade e exatidão
Do sentimento
Que o intuit…
de Oliveira Melo
Redimir.
Achei meu caminho , mesmo por longo tempo esquecido - nas noites e madrugadas sem teu amor. Eu preciso me ancorar em um porto, onde as pr…
Ademir D.Zanotelli *Poeta*
Condor libertário
Sempre
Que o pêndulo do momentâneo
Jubiloso se revelar
Em atos
Eu
Simples argumento idêntico
Em seu tributo
Exa…
de Oliveira Melo
Lamentações.
Somente você pode realmente me acompanhar nesta estrada tão longa de meu viver - tu foste a única mulher que me arrebatou , dizendo a pal…
Ademir D.Zanotelli *Poeta*