Quase sobrenatural

Traço no tempo cada efemeridade da nossa
Existência ao redesenhar nos quadris de uma
Hora intemporal suculentos prazeres condensados
Num beijo, diria quase sobrenatural
A noite numa letargia estonteante abriga-se no
Aquário deste silêncio tão integral, qual símbolo
Do amor festejado, almejado assim de forma unilateral
Prisioneiro desta absoluta solidão tão abismal
Embebeda-se o dia com magistrais azuis celestiais
Saúdam coloridas brisas pastando entre emancipados
Prados perfumados de uma beleza sempre jovial
E assim desponta a manhã num primor de sensualidades
Geradas na fimbria de uma alegria quase tridimensional
Degustando desejos assim tão delicadamente viscerais
Frederico de Castro
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