Horda de silêncios

Ao longo do tempo demarcam-se
Duas horas intempestivas, deixando
Cada periódico segundo agoniando congestivo
A noite miseravelmente escura e triste
Esconde-se no vão de um lamento tão
Caricato indubitavelmente comutativo e estupefacto
Deixarei a negritude de todas as solidões sitiar
A memória que hoje se descoloriu ao sepultar
A horda de ilusões, quase macabras, ali a locupletar
Oh, como longos são estes dias acomodados
Neste meu silêncio tão endurecido deixando os pêsames
À impetuosa madrugada refastelada com drinks bem destilados
Fiquei a centímetros de uma lembrança sempre
Reverberante e incendiária quando me amordacei a
Tantas anárquicas saudades empoladas e arbitrárias
Numa subtil indiferença a manhã descobre-se altiva
E solidária desfolhando gomos de luz para um céu que
Depois se acende com palavras de uma beleza tão totalitária
Frederico de Castro
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