NAS ESTRELAS
Oh estrelas líricas, esferas de fogo
Outrora eu as sustentava em meus braços adormecidos,
Debruçados numa janela.
Mãos fechadas como que guardando o segredo do universo,
O céu me abria uma passarela,
Os sonhos alagando a lua com correntes, vendavais;
O frio cortante da saudade dela
A escuridão da noite, em silêncio
Acariciava-me feito os negros cabelos da morena
A formosura pintada em aquarela.
Oh estrelas que agora me olham fulgurantes
Reluz no teu céu chamas sem fumaça
Raios presos naquela noite teatral.
Hoje, brilham como jamais brilharam antes
Mas brilham menos que os olhos da morena
Quando me olhava celebrando a essência do amor
No relevo do seu corpo arquitetônico
Repousava a doçura de um reino encantador
Oh estrelas, não vão agora
Contemplem um pouco mais a ânsia dos corações perdidos,
E veja o encanto dela flutuar em meus braços,
E atracar em meu beijo, como um barco perdido que encontra o porto.
Resgatando meu desejo, colando meus pedaços
Oh estrelas, ainda vos invoco em última estrofe
Para que sejais testemunhas eternas das nossas frases de amor.
E se o amor se acabar, que esta noite jamais se acabe,
E que este brilho ultrapasse toda a vida com seu resplendor.
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