Superstição
A minha resposta cega no final dum caminho
longo e ostentoso e asas de um véu aquoso.
No fim, um ponto sem penas, nem carinho
uma ave aveludada, depenada e desgraçada.
Graças divinas de olhos, suaves lamparinas
de onde escorre óleo de palavras por papel.
Papel que não tens nessa peça que escreveste.
Rabiscos autorizados pelas deusas felinas.
Ronronam de leve a se esticar e a enrolar
um fio de novelo grosseiro e embaraçado,
como o carmim da tua cara quente e clara,
em luz tornada, voltas a rir e a cantar.
Canta uma moda, uma qualquer, não sei.
Nem tu, nem ninguém, não sabemos nada.
Nadamos por aqui e por ali em limos
e limamos arestas para agradar ao rei.
A coroa não é nossa, nem o será.
Cera escorre-nos pelos dedos trémulos.
Terminados e assustados e medrosos.
O medo que nos nasce nos ouvidos.
E se a superstição queimares,
o melhor e que com mais dor puderes,
esperando por sortes melhores,
nasce-te alento pare te deitares.
Escrito a 24/06/2018
longo e ostentoso e asas de um véu aquoso.
No fim, um ponto sem penas, nem carinho
uma ave aveludada, depenada e desgraçada.
Graças divinas de olhos, suaves lamparinas
de onde escorre óleo de palavras por papel.
Papel que não tens nessa peça que escreveste.
Rabiscos autorizados pelas deusas felinas.
Ronronam de leve a se esticar e a enrolar
um fio de novelo grosseiro e embaraçado,
como o carmim da tua cara quente e clara,
em luz tornada, voltas a rir e a cantar.
Canta uma moda, uma qualquer, não sei.
Nem tu, nem ninguém, não sabemos nada.
Nadamos por aqui e por ali em limos
e limamos arestas para agradar ao rei.
A coroa não é nossa, nem o será.
Cera escorre-nos pelos dedos trémulos.
Terminados e assustados e medrosos.
O medo que nos nasce nos ouvidos.
E se a superstição queimares,
o melhor e que com mais dor puderes,
esperando por sortes melhores,
nasce-te alento pare te deitares.
Escrito a 24/06/2018
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