O que pode ser poesia
Se não são de amor,
de paixão e afeição,
de se perder, ardor,
de se dissolver, não,
de se entregar, dor,
de dor de amar em vão...
então,
então não é poesia?
Se cai em abismos
pastosos e sem,
sem sentidos
nem aforismos.
Sem ouvidos,
nem olhos.
Sem bocas
nem inimigos.
Com tocas,
com umbigos
onde não,
onde não liga
um mamífero
bipede que,
que te pede que,
que o abraces,
que o acaricies
e o leves ao mais,
ao mais alto dos,
dos sonhos
então,
então não é poesia?
Se de toques e carícias,
perdidos os sentidos,
de doces e breves malícias,
os dedos ainda tidos,
como que estando,
estando na pele,
e o ritmo acelerando...
E depois um frio
porque se apaga.
A vela come o pavio
e tudo apaga e vai,
e vai sem desaparecer.
Deixa só nas mãos,
nas mãos a vontade,
a saudade,
os dedos para escrever
então,
então é, é poesia?
Mas e se, e se, e se...
e se nos peitos
não acelerados
pelos efeitos,
desses toques e bafejos,
doces, divinos,
mas acelerados
pela ausência,
vazios, perdidos,
desvairados.
Nesses também pulsa
uma febre,
febre incandescente
vulcões explodindo sós!
Sós, sem som, sem sentido.
E esses dedos, esses dedos
buscam,
buscam e buscam
e buscam e buscam!
Nos estilhaços,
pedaços,
pedaços desconexos que juntar
malformados, sempre,
sempre, malformados.
Flores não saudosas
com hastes e dentaduras
esgaçando sorrisos
coloridos
de verdes de esmeraldas
de olhos
e azuis de cerúleo céu
de cabelos
e ao vento, nas espaldas
folhosas
um cinzento, brilhante véu.
Não pode?
Não pode?
Não pode essa também?
Não pode essa também ser?
Não pode essa também ser poesia?
Escrito a 26/06/2018
de paixão e afeição,
de se perder, ardor,
de se dissolver, não,
de se entregar, dor,
de dor de amar em vão...
então,
então não é poesia?
Se cai em abismos
pastosos e sem,
sem sentidos
nem aforismos.
Sem ouvidos,
nem olhos.
Sem bocas
nem inimigos.
Com tocas,
com umbigos
onde não,
onde não liga
um mamífero
bipede que,
que te pede que,
que o abraces,
que o acaricies
e o leves ao mais,
ao mais alto dos,
dos sonhos
então,
então não é poesia?
Se de toques e carícias,
perdidos os sentidos,
de doces e breves malícias,
os dedos ainda tidos,
como que estando,
estando na pele,
e o ritmo acelerando...
E depois um frio
porque se apaga.
A vela come o pavio
e tudo apaga e vai,
e vai sem desaparecer.
Deixa só nas mãos,
nas mãos a vontade,
a saudade,
os dedos para escrever
então,
então é, é poesia?
Mas e se, e se, e se...
e se nos peitos
não acelerados
pelos efeitos,
desses toques e bafejos,
doces, divinos,
mas acelerados
pela ausência,
vazios, perdidos,
desvairados.
Nesses também pulsa
uma febre,
febre incandescente
vulcões explodindo sós!
Sós, sem som, sem sentido.
E esses dedos, esses dedos
buscam,
buscam e buscam
e buscam e buscam!
Nos estilhaços,
pedaços,
pedaços desconexos que juntar
malformados, sempre,
sempre, malformados.
Flores não saudosas
com hastes e dentaduras
esgaçando sorrisos
coloridos
de verdes de esmeraldas
de olhos
e azuis de cerúleo céu
de cabelos
e ao vento, nas espaldas
folhosas
um cinzento, brilhante véu.
Não pode?
Não pode?
Não pode essa também?
Não pode essa também ser?
Não pode essa também ser poesia?
Escrito a 26/06/2018
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