À SOMBRA SOB OS OLHOS DE DEUS
Há noites que a fronha
Desentende-se com meu rosto
E a cama e seus lençóis
Giram em torno das borboletas
Estufando de fantasmas
O bojo do travesseiro sem ar
Eu permaneço ali
Como um lago imóvel decantado
Descartando alternativas e possibilidades
De não dormir
Como se a revolta das coisas não fosse comigo
Assim faço todos os dias
Quando o carro não liga
A lâmpada não acende
O fio não conduz, o café não coa
O caminho não chega
A cola não adere
A carne não assa
A chuva não molha
A roupa não seca
Talvez seja eu somente
Um vazio banco de praça
Um meio fio de esquina ou poste desnecessário
Sem nada mais dependurado
Esticado em varal
Quarando à sombra
Sob os olhos de Deus
Desentende-se com meu rosto
E a cama e seus lençóis
Giram em torno das borboletas
Estufando de fantasmas
O bojo do travesseiro sem ar
Eu permaneço ali
Como um lago imóvel decantado
Descartando alternativas e possibilidades
De não dormir
Como se a revolta das coisas não fosse comigo
Assim faço todos os dias
Quando o carro não liga
A lâmpada não acende
O fio não conduz, o café não coa
O caminho não chega
A cola não adere
A carne não assa
A chuva não molha
A roupa não seca
Talvez seja eu somente
Um vazio banco de praça
Um meio fio de esquina ou poste desnecessário
Sem nada mais dependurado
Esticado em varal
Quarando à sombra
Sob os olhos de Deus
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