Parado no tempo
um tanto isolado,
enquanto me sento
numa paragem de autocarro.
Contemplo a arena,
contemplo o templo
de uma simples praça
em que rezas são como vento.
Ninguém se move,
ninguém pára.
Jaulas em comboios,
carros e tascas.
Um polícia na esquina,
agente de autoridade
complicada vida,
odiado pela sociedade.
Um motorista bêbado que urina
cerveja a mais.
Último serviço
depois é pinga,
será que finda?
Uma miúda que se pinta,
por uns padrões abstractos
quer ser mais uma uma.
Com um pincel aplica tinta,
torna-se igual, qual básica tela
E eu,
eu estou parado,
isolado no tempo
enquanto penso
que sou diferente.
(Serei mesmo?)
Tudo parado com a sua máquina
na paragem de autocarro
Vou para o trabalho,
sou mais um escravo
não sei o que faça.
Sou mais um polícia
um alcoólico motorista.
No fundo não sou tão diferente,
daquela simples, inocente rapariga.
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