Pelos olhos teus...



Pelos olhos teus...
Sinto a madrugada fluir ávida quase violenta
Aduzida por uma magnânima hora tão quizilenta
Triunfalmente erguida depois de uma oração sedenta

Pelos olhos teus...
Degluto a manhã impávida e serena, erguida
Pelas luminescências de uma caricia feliz
Parida e manipulada lá no porão do
Tempo e das palavras bem alfabetizadas

Pelos olhos teus...
Beberico cada breu mais apocalíptico até que,
A solidão reescreva o bendito afago feito matriz
De tantas gargalhadas felizes, aglutinadoras, quase brejeiras

Pelos olhos teus...
Educo cada verso sempre lírico e apaixonado
Recrio a intersecção das emoções legitimas, codificadas
Até devastar cada aresta deste silêncio debutante e conspirador

Pelos olhos teus...
Apaziguo até as monções orientais blasfemando num
Aguaceiro auspicioso soprando qual doce brisa choraminguenta
Oh, pranto que tanto pranteias nesta hora felina e suculenta

Pelos olhos teus...
Incuto na saudade aquela memória aguerrida e opulenta
Que me alenta e embebeda das mesmíssimas maresias
Navegando num sedento momento de inspiração quase virulenta

Pelos olhos teus...
Pousa de mansinho a luz da esperança assim sonolenta
Requebra meus ais e lamentos num monólogo de paixões
Envoltas na razão da minha fé, sempre, mas sempre mais corpulenta

Frederico de Castro
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